Quinta-feira, Outubro 15, 2009
Longo fluxo de pensamentos ouvindo um amigo chato falando de sua nova conquista amorosa
"Ele é chato. Deus, como é chato. Mas come muita mulher. Por que é chato. Será que eu sou invejoso por isso? Isso me torna também chato? Para comermos muita mulher temos de ser irremediavelmente chatos e falastrões, vide 'Queda que as mulheres têm pelos tolos', de Machado de Assis? É mais nobre manter uma postura digna e contida suportando os "nãos" e "você é só meu amiguinho" com que nos alvejam as bucetas enfurecidas, ou, lutando contra um mar de rejeições, tomar de uma máscara de mentiras, arrogância e estupidez manipulável, e, por oposição, comê-las? Eu não devia estar copiando Shakespeare. Devia estar variando minhas leituras para copiar outras citações. Aliás, será que alguém entende quando eu faço citações de Shakespeare? Ou só funcionava com o cara de 'C.S.I'? Por que ele saiu da série, por falar nisso? E entrou no lugar dele o negão que fez 'Otelo' no cinema. Isso quer dizer algo? Meu Deus, ele não para de falar. Será que era assim que ele conquista as mulheres? Se joga para elas com um zumbido enlouquecedor até paralisá-las e bombardeá-las, como os bombardeiros Stukas faziam com a cavalaria polonesa em 1939? Eu não devia estar pensando nisso. Afinal de contas, estou aqui ao lado da minha amada namorada... que neste momento está conversando animadametne com o resto da mesa, de pilequinho, pouco se importando para o fato de que eu estou aos poucos adquirindo uma doença respiratória de tanto prender o ar para conseguir me manter tentando ouvir essa história chata, sem contar com as rugas e sulcos que minha cara está produzindo apenas pelo gesto inútil de ser educado com alguém tão chato que o resto da mesa ignora. Todos já estão falando de outra coisa e me deixaram aqui montando guarda. ALÔÔÔ??? ALGUÉM AQUI ESTÁ ME VENDO? ALGUÉM PERCEBE O MEU SACRIFÍCIO INDIVIDUAL PELO GRUPOOOO? Alguém percebe que enquanto dou cobertura a esse bombardeio de chatice, todos se refastelam em conversas mais animadas? LU, se existe uma hora de dar uma prova de amor, é esta, se mais tarde você não resistir ao charme do porteiro quando eu estiver viajando, eu perdoo. Mas ME TIRE DAQUI, por favor. PERCEBA como eu estou sofrendo. Taí: em quantas e quantas mesas, por pura educação, eu acabei suportando os chatos enquanto o resto das pessoas se divertia às minhas costas? Esse esforço foi recompensado mais tarde? Ou, enquanto eu tentava segurar as pontas da solteirona cachaceira, a gostosa vistosa do outro lado da mesa olhou para mim? Claro que não. Ela ficou com o chato. Que não parava de falar no ouvido dela, pouco notando o meu drama, é claro. Bando de ingratos"
Quarta-feira, Setembro 23, 2009
Um breve encontro
"Sabe o que realmente me impressionou na 'cena' londrina? A quantidade de homossexuais que havia lá", cortou um desdenhoso Irving Kristol a Christopher Hitchens, no jantar em que eles se encontraram em Nova York, nos anos 70, quando o segundo perguntou ao primeiro do que ele se lembrava do tempo em que passou na capital britânica editando a "Encounter", uma revista qualificada que era financiada pela CIA. Mais impressões de Hitchens sobre o primeiro neoconservador estão na Slate. Um breve mas bastante revelador retrato das influências contraditórias que fizeram a cabeça deste ex-trotskista, clique no título do post.
Quinta-feira, Julho 02, 2009
Nunca se disse tanto por tão pouco
Como todo dia tem notícia nova sobre o assunto, é claro que parte dos meus pensamentos, desde a semana passada, foram dedicado à Michael Jackson. Sempre me achei mais estranho do que ele por viver num mundo em que as pessoas pareciam muito interessadas nele. Agora que ele morreu e o interesse aumentou, me sinto mais estranho ainda.
Michael Jackson é um bom cantor que fez bons discos até "Thriller" e depois nunca mais emplacou nada. Pronto. Não "criou o pop" nem "aproximou a música negra do rock branco", porque o rock É música negra tocada por garotos brancos que não quiseram ler partituras. Não dá para entender todo esse bafafá, por mais que lamentemos a morte, porque ele, para usar uma imagem poética, foi mais um satélite que irradiou a luz que vinha de outras fontes do que emitiu luz própria. "Thriller", o melhor disco, é exatamente isso. "Beat it" era um sucesso que procurava imitar a batida de "My Sherona", sucesso do qual ninguém mais se lembra. Seu solo de guitarra no estilo "martelada" já havia sido inventado por Eddie Van Halen há tempos - bastou apenas Quincy Jones sacar isso e botar o guitarrista para tocar na música. Os climas, ritmos que ouvimos e adoramos em "Thriller" já estavam em outros discos, de outros artistas, Jones e Jackson apenas souberam aproveitar, trabalhar em cima. O "Moonwalk" não foi inventado por ele, e isso nem chega a ser um demérito. Criar um passo tão infantil não é exatamente criar o cálculo infinitesimal, cuja paternidade deu tanta briga entre Leibniz e Isaac Newton.
Depois disso, a impressão que dava é que ele realmente passou a acreditar que era um Deus, tentou se distanciar da dança, das roupas, dos costumes e da sonoridade das ruas, da época, que ele refletia tão bem, e ficou chatíssimo. Michael Jackson já havia morrido antes, na década de 90. E virou "branco" antes mesmo de ser branco, se pensarmos que ele fez o que muitos artistas brancos americanos fizeram com artistas negros, como jazzistas e bluesmen - aproveitou o que havia na rua, adaptou, vendeu numa roupagem mais soft, e ganhou muito dinheiro com isso. Frank Sinatra, Tommy Dorsey, Gene Kelly, Fred Astaire, todos fizeram isso. Não chega a ser crime, acho eu. Mas é isso: ele refletiu, não lançou nada de novo. Não nos fez nos interessar por música indiana, não criou o heavy metal e foi funky ao mesmo tempo, não tentou elaborar novas formas de música pop, para citar algumas coisas que os Beatles, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, The Who ou sei lá mais quem fizeram. Tentar achar em Michael Jackson ou sua companheira de época Madonna mais do que aquilo que eles aparentavam ser pode ser extremamente frustrante.
Michael Jackson é um bom cantor que fez bons discos até "Thriller" e depois nunca mais emplacou nada. Pronto. Não "criou o pop" nem "aproximou a música negra do rock branco", porque o rock É música negra tocada por garotos brancos que não quiseram ler partituras. Não dá para entender todo esse bafafá, por mais que lamentemos a morte, porque ele, para usar uma imagem poética, foi mais um satélite que irradiou a luz que vinha de outras fontes do que emitiu luz própria. "Thriller", o melhor disco, é exatamente isso. "Beat it" era um sucesso que procurava imitar a batida de "My Sherona", sucesso do qual ninguém mais se lembra. Seu solo de guitarra no estilo "martelada" já havia sido inventado por Eddie Van Halen há tempos - bastou apenas Quincy Jones sacar isso e botar o guitarrista para tocar na música. Os climas, ritmos que ouvimos e adoramos em "Thriller" já estavam em outros discos, de outros artistas, Jones e Jackson apenas souberam aproveitar, trabalhar em cima. O "Moonwalk" não foi inventado por ele, e isso nem chega a ser um demérito. Criar um passo tão infantil não é exatamente criar o cálculo infinitesimal, cuja paternidade deu tanta briga entre Leibniz e Isaac Newton.
Depois disso, a impressão que dava é que ele realmente passou a acreditar que era um Deus, tentou se distanciar da dança, das roupas, dos costumes e da sonoridade das ruas, da época, que ele refletia tão bem, e ficou chatíssimo. Michael Jackson já havia morrido antes, na década de 90. E virou "branco" antes mesmo de ser branco, se pensarmos que ele fez o que muitos artistas brancos americanos fizeram com artistas negros, como jazzistas e bluesmen - aproveitou o que havia na rua, adaptou, vendeu numa roupagem mais soft, e ganhou muito dinheiro com isso. Frank Sinatra, Tommy Dorsey, Gene Kelly, Fred Astaire, todos fizeram isso. Não chega a ser crime, acho eu. Mas é isso: ele refletiu, não lançou nada de novo. Não nos fez nos interessar por música indiana, não criou o heavy metal e foi funky ao mesmo tempo, não tentou elaborar novas formas de música pop, para citar algumas coisas que os Beatles, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, The Who ou sei lá mais quem fizeram. Tentar achar em Michael Jackson ou sua companheira de época Madonna mais do que aquilo que eles aparentavam ser pode ser extremamente frustrante.
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Michael Jackson Frank Sinatra
Terça-feira, Junho 16, 2009
as mentiras românticas que o cinema americano conta para os homens
a) a loura gostosa e sequiosa que você acha que vai estar te esperando no seu cafôfo no dia em que você leva um esporro do chefe, perde o distintivo - ou crachá - e ainda descobre que sua ex-mulher está dando para o seu pior inimigo. "I´m here, Sam... for you", diz ela para o herói, que ainda faz cu doce em vez de passar o rodo, por ser "muito macho", e não pode se entregar assim.
b) a ruivinha inocente que troca o principal astro esportivo da escola para ficar com o herói adolescente justamente porque ele é feio, desengonçado, tímido, sem sal, aparentemente meio brocha (aparentemente porque também é sabidamente virgem) e fala de coisas com ela não entende, como a história da guerra do Peloponeso ou o funcionamento de circuitos eletrônicos dos primeiros IBMs
c) a casadoira do início do século XIX que depois de se esbaldar nas valsas com sir Walsingham e nos jantares com o duque de Charlestornford, descobre que o homem certo para ela mesmo é o taciturno e carrancudo, porém justo e digno, major Neusbitt, cuja perna direita foi recentemente amputada após sua heróica participação na batalha de Trafalgar.
d) a rica piranhosa e dadeira que resolve se converter numa sensível moçoila ao ter seu coração tocado pelo motorista de táxi que pode ser um pobretão mal-arrumado mas mostra ter um interior muito sensível recitando Shakespeare nas corridas e falando de seu sonho de ser compositor.
e) a loura gostosa e sequiosa (olha ela aí de novo) que aborda você, puto, sem distintivo (ou crachá), com dor de corno, MAS no bar com balcãozão de madeira, onde, do outro lado, o barman avisando que essa é a última, "pal", enquanto toca algum Creedence ou Lynyrd Skynyrd - "rock de macho". Na verdade, o balcão de madeira é tão ilusório quanto a loura em si, é uma miragem que vem em jogo duplo, tal qual poltronas e sofás para a sua sala numa liquidação da Tok & Stock.
f) a indecisa que abandona o altar no dia de casamento para finalmente se render ao rude galã lanterneiro, com muito menos perspectivas na vida do que o operador da Bolsa sem sal que pode ser sem sal, mas faz tudo por ela, até trata o alcoolismo da sogra.
b) a ruivinha inocente que troca o principal astro esportivo da escola para ficar com o herói adolescente justamente porque ele é feio, desengonçado, tímido, sem sal, aparentemente meio brocha (aparentemente porque também é sabidamente virgem) e fala de coisas com ela não entende, como a história da guerra do Peloponeso ou o funcionamento de circuitos eletrônicos dos primeiros IBMs
c) a casadoira do início do século XIX que depois de se esbaldar nas valsas com sir Walsingham e nos jantares com o duque de Charlestornford, descobre que o homem certo para ela mesmo é o taciturno e carrancudo, porém justo e digno, major Neusbitt, cuja perna direita foi recentemente amputada após sua heróica participação na batalha de Trafalgar.
d) a rica piranhosa e dadeira que resolve se converter numa sensível moçoila ao ter seu coração tocado pelo motorista de táxi que pode ser um pobretão mal-arrumado mas mostra ter um interior muito sensível recitando Shakespeare nas corridas e falando de seu sonho de ser compositor.
e) a loura gostosa e sequiosa (olha ela aí de novo) que aborda você, puto, sem distintivo (ou crachá), com dor de corno, MAS no bar com balcãozão de madeira, onde, do outro lado, o barman avisando que essa é a última, "pal", enquanto toca algum Creedence ou Lynyrd Skynyrd - "rock de macho". Na verdade, o balcão de madeira é tão ilusório quanto a loura em si, é uma miragem que vem em jogo duplo, tal qual poltronas e sofás para a sua sala numa liquidação da Tok & Stock.
f) a indecisa que abandona o altar no dia de casamento para finalmente se render ao rude galã lanterneiro, com muito menos perspectivas na vida do que o operador da Bolsa sem sal que pode ser sem sal, mas faz tudo por ela, até trata o alcoolismo da sogra.
Segunda-feira, Abril 13, 2009
da oposição democrata-cristã cubana
Existe. Em Cuba mesmo. E eles divulgaram esta carta aberta abaixo:
PROYECTO DEMÓCRATA CUBANO
Miembro de la Organización Demócrata Cristiana de América (ODCA)
Sede: 7ma. # 49405 (altos), e/ 494 y 494-A. Playa de Guanabo, Municipio Habana del Este, Ciudad de La Habana, Cuba. C.P.: 19120
Teléfonos: (537) 642-9371 (537) 796-2636 (telefax). Emails: prodecu@gmail.com pdcuba@gmail.com. Sitio web: http://www.prodecu.org
San Cristóbal de La Habana, 13 de abril de 2009.
Excmo. Sr. Barack H. Obama
Presidente de los Estados Unidos de América
Casa Blanca, Washington D.C.
Excelencia:
A partir del triunfo alcanzado por usted al frente del Partido Demócrata en las elecciones del pasado mes de noviembre, la posibilidad de un cambio positivo en las relaciones entre los gobiernos de Cuba y los Estados Unidos comenzó a tomar forma en la mente y en los corazones de la mayoría de los cubanos.
Si en la historia pasada y reciente de la humanidad cincuenta años no se pierden con facilidad en el tiempo, nos preguntamos cómo lo percibirán los ciudadanos —tanto cubanos como norteamericanos— que, de alguna manera, han sufrido las consecuencias de estas cinco décadas de confrontación mayor y desencuentros entre nuestros dos países.
Nuestra organización opositora pacífica, el Proyecto Demócrata Cubano, en un documento que enviamos a las autoridades estadounidenses en 1996 planteamos: «Es un hecho que los actos políticos de los gobernantes de los Estados Unidos de América han influido y, a veces determinado, la historia del pueblo cubano a través de los tiempos». En esta nueva ocasión vuelven a tomar valor estas palabras.
Ahora no parece importante esclarecer si la crisis de los misiles en octubre de 1962 fue causa o consecuencia de la invasión de Bahía de Cochinos, sino como crear los escenarios más favorables para que el pueblo cubano avance en la recuperación de sus derechos y libertades. Y para lograr estos fines, en nuestra opinión, es vital la solución negociada del conflicto entre ambos gobiernos.
La Cumbre de Las Américas que se celebrará próximamente en Trinidad y Tobago parece ser el marco adecuado para comenzar a propiciar estas negociaciones. Conocemos de algunos avances en relación con el tema de las visitas a Cuba de cubanos residentes en los Estados Unidos y de las remesas que estos envían a sus familiares en las islas. Más hay, entre otros, dos asuntos de trascendental importancia: la inclusión de Cuba en todas las instituciones hemisféricas con todos sus derechos y deberes y el embargo o bloqueo que sufre el pueblo cubano desde hace ya casi cincuenta años por parte de Estados Unidos. En cuánto a lo primero parece tener una clara visibilidad el apoyo de la comunidad latinoamericana y caribeña a la restitución de Cuba. En cuanto al bloqueo, más allá de cualquier otra consideración, este viola los derechos humanos del pueblo cubano, victimiza a las autoridades cubanas y degrada la naturaleza social y política de quiénes lo aplican. Esto debe cesar.
Sabemos que remover añejos conceptos y prácticas no es una tarea fácil pero lo más importante es comenzar. Somos optimistas en cuánto creemos que las relaciones entre los pueblos y gobiernos de Cuba y los Estados Unidos tomarán el cauce de la normalización. Estamos seguros de que los opositores pacíficos independientes cubanos, que trabajamos por la libertad y la democracia en Cuba, en estas nuevas circunstancias, contaremos con el apoyo moral y político y la solidaridad del gobierno y el pueblo norteamericanos.
Le deseamos éxitos en sus empeños con la atestación de nuestro elevado respeto y consideración,
Rafael León Rodríguez
Coordinador General
PROYECTO DEMÓCRATA CUBANO
Miembro de la Organización Demócrata Cristiana de América (ODCA)
Sede: 7ma. # 49405 (altos), e/ 494 y 494-A. Playa de Guanabo, Municipio Habana del Este, Ciudad de La Habana, Cuba. C.P.: 19120
Teléfonos: (537) 642-9371 (537) 796-2636 (telefax). Emails: prodecu@gmail.com pdcuba@gmail.com. Sitio web: http://www.prodecu.org
San Cristóbal de La Habana, 13 de abril de 2009.
Excmo. Sr. Barack H. Obama
Presidente de los Estados Unidos de América
Casa Blanca, Washington D.C.
Excelencia:
A partir del triunfo alcanzado por usted al frente del Partido Demócrata en las elecciones del pasado mes de noviembre, la posibilidad de un cambio positivo en las relaciones entre los gobiernos de Cuba y los Estados Unidos comenzó a tomar forma en la mente y en los corazones de la mayoría de los cubanos.
Si en la historia pasada y reciente de la humanidad cincuenta años no se pierden con facilidad en el tiempo, nos preguntamos cómo lo percibirán los ciudadanos —tanto cubanos como norteamericanos— que, de alguna manera, han sufrido las consecuencias de estas cinco décadas de confrontación mayor y desencuentros entre nuestros dos países.
Nuestra organización opositora pacífica, el Proyecto Demócrata Cubano, en un documento que enviamos a las autoridades estadounidenses en 1996 planteamos: «Es un hecho que los actos políticos de los gobernantes de los Estados Unidos de América han influido y, a veces determinado, la historia del pueblo cubano a través de los tiempos». En esta nueva ocasión vuelven a tomar valor estas palabras.
Ahora no parece importante esclarecer si la crisis de los misiles en octubre de 1962 fue causa o consecuencia de la invasión de Bahía de Cochinos, sino como crear los escenarios más favorables para que el pueblo cubano avance en la recuperación de sus derechos y libertades. Y para lograr estos fines, en nuestra opinión, es vital la solución negociada del conflicto entre ambos gobiernos.
La Cumbre de Las Américas que se celebrará próximamente en Trinidad y Tobago parece ser el marco adecuado para comenzar a propiciar estas negociaciones. Conocemos de algunos avances en relación con el tema de las visitas a Cuba de cubanos residentes en los Estados Unidos y de las remesas que estos envían a sus familiares en las islas. Más hay, entre otros, dos asuntos de trascendental importancia: la inclusión de Cuba en todas las instituciones hemisféricas con todos sus derechos y deberes y el embargo o bloqueo que sufre el pueblo cubano desde hace ya casi cincuenta años por parte de Estados Unidos. En cuánto a lo primero parece tener una clara visibilidad el apoyo de la comunidad latinoamericana y caribeña a la restitución de Cuba. En cuanto al bloqueo, más allá de cualquier otra consideración, este viola los derechos humanos del pueblo cubano, victimiza a las autoridades cubanas y degrada la naturaleza social y política de quiénes lo aplican. Esto debe cesar.
Sabemos que remover añejos conceptos y prácticas no es una tarea fácil pero lo más importante es comenzar. Somos optimistas en cuánto creemos que las relaciones entre los pueblos y gobiernos de Cuba y los Estados Unidos tomarán el cauce de la normalización. Estamos seguros de que los opositores pacíficos independientes cubanos, que trabajamos por la libertad y la democracia en Cuba, en estas nuevas circunstancias, contaremos con el apoyo moral y político y la solidaridad del gobierno y el pueblo norteamericanos.
Le deseamos éxitos en sus empeños con la atestación de nuestro elevado respeto y consideración,
Rafael León Rodríguez
Coordinador General
Sexta-feira, Março 20, 2009
Elas sabem porque ela está apanhando. Sabem?
Uma das reportagens mais lidas no site do New York Times tem a ver com a agressão de Chris Brown a Rihanna. Mas não são detalhes do espancamento, antecedentes ou consequências: o jornal relata como, de uma maneira chocante para as velhas gerações, há um número substancial de adolescentes negras que apoiam Brown. Elas acham que se a cantora apanhou do namorado, alguma ela fez. E têm mais ciúme de Rihanna por estar com aquele gatinho espancador do que piedade e compreensão de que, se tal comportamento não é reprovado, cum pouco, são elas que entrarão na porrada. A reportagem segue mostrando como esta mentalidade que achávamos só possível nalguma senhora de engenho do século XVIII é um componente de um tipo de comportamento em que as adolescentes topam, submetem-se, aceitam a... a.... vamos lá, a superioridade masculina na relação. Elas aprendem que não devem denunciar agressões e abusos dos garotos, para não prejudicar-lhes o futuro - não é bonito isso, mulher sofrer calada em sacrifício?
Todo este recrudescimento moral, é claro, está apoiado no que um dos entrevistados chama de "a cultura do hip-hop", aquelas músicas MANEEEERAS em que toda mulher é puta e todo homem é medido pela quantidade de violência que está disposto a aplicar em seus semelhantes. De preferência, muito bem armado. O que é mais um indício de que o principal fenômeno comportamental, o mais generalizado, neste início de século, é o esvaziamento político da juventude: eles não representam mais a mudança, a experimentação. Representam o conservadorismo, e se orgulham muito disso, achando que um piercing no umbigo substitui uma ideia na cabeça.
Todo este recrudescimento moral, é claro, está apoiado no que um dos entrevistados chama de "a cultura do hip-hop", aquelas músicas MANEEEERAS em que toda mulher é puta e todo homem é medido pela quantidade de violência que está disposto a aplicar em seus semelhantes. De preferência, muito bem armado. O que é mais um indício de que o principal fenômeno comportamental, o mais generalizado, neste início de século, é o esvaziamento político da juventude: eles não representam mais a mudança, a experimentação. Representam o conservadorismo, e se orgulham muito disso, achando que um piercing no umbigo substitui uma ideia na cabeça.
Quinta-feira, Março 19, 2009
Eu e os bichos
O GANSO DO MEU PAI
No sítio do meu pai, havia gansos. Um foi roubado, outro foi atropelado, outro fugiu pelo córrego, outro morreu de doença e... assim foram minguando até sobrar um só. Que, minha mãe notou, ficava sempre incomodado, cabisbaixo, incerto, rodeando a casa, solitário.
Até que uma das galinhas do sítio ficou choca. O ganso, assim que viu o ninho que ela fez no lado do córrego, tomou para si a tarefa de guardá-lo, e à galinha: ficava sempre andando em volta dela, de guarda, expulsando até mesmo os galos e outras galinhas que chegavam perto.
Cheguei a duas conclusões observando os dois, na última visita que fiz ao sítio. Uma é que provavelmente está inscrito nos genes dos machos das espécies a tendência natural de proteger, cuidar de um ser que não seja você mesmo - o altruísmo é uma espécie de instinto masculino.
A outra conclusão, menos científica, é de que para deixa um ganso cabisbaixo mais animado, qualquer galinha serve.
O JACARÉ DA MINHA MÃE
O mesmo córrego por onde os gansos nadavam, certa vez, encheu com uma chuva e ligou-se a um pequeno açude que há no lado da casa do sítio dos meus pais. E com o transbordamento, veio um jacaré. Ele instalou-se no açude, e depois que as águas baixaram, decidiu ficar por lá por uns tempos.
Minha mãe começou a cuidar do jacaré. Atirava pedaços de pelanca que arrancava da carne que cozinhava, e de noite, gostava de procurar os olhos brilhantes dele com uma lanterna, de brincadeira.
Eu dizia para minha mãe que o jacaré, que ainda era um filhote, ainda iria crescer e comer ela, meu pai e os carneiros e galinhas que eles criavam, um a um.
Claro que minha mãe não me deu ouvidos - na nossa família, só ouvimos o que queremos ouvir.
Um dia, choveu de novo, o rio transbordou, atingiu o açude, o jacaré aproveitou e foi embora rio abaixo.
Nunca se afeiçoe demais a alguém que entrou na sua vida trazido por puro acaso. Eles também vão embora levados pelo puro acaso. Você fica.
A CALOPSITA DA MINHA AMIGA
Quando me separei, fui morar com uma amiga que tinha uma calopsita - uma espécie de periquito, só que com um topete de integrante do Sig Sig Sputnik (alguém se lembra?) e uma pelagem mais variada.
A calopsita me acordava de manhã com longos piados, demandando comida e atenção. Depois que soltávamos ela (ele, na verdade - o nome era Mané), o bicho gostava de ficar no meu ombro, bicando minha nuca. Às vezes, doía muito, mas às vezes, dava cócegas. Às vezes, ele cagava. Algumas camisas minhas ficaram estragadas, com o ombro esgarçado, de tanto lavar.
Ele era chato. Mas graças à ele entendi um pouco o que é ser mulher: é carregar no ombro alguém que cutuca as nossas partes mais sensíveis, e que não se importa de cagar em cima de você, de vez em quando.
A GATA DA MINHA HOME MATE
Minha amiga foi embora, e veio outra home mate. E alguns meses depois, veio um gato. Nas primeiras semanas, o gato ficava preso dentro do apartamento, que é térreo, e jamais deixávamos ele ir para uma área nos fundos, onde havia uma piscina, com medo de que ele caísse e morresse afogado.
Um dia, pedreiros foram para a área dos fundos montar um andaime para uma reforma do prédio. E o gato também foi. Eles disseram que eu poderia deixar o gato lá, que eles cuidariam dele.
Alguns minutos depois, o gato voltou para casa, molhado como um pincel embebido num tubo de tinta nanquim (ele é totalmente negro). Tinha caído na piscina. Minha home mate o secou. Mas não impedimos que ele voltasse a passear na área dos fundos por causa disso. Na verdade, foi bom ele ter caído na piscina e ter se safado sozinho; ele nunca mais fez isso de novo. O gato, constatei, é o ser vivo mais inteligente da casa onde moro. Ele só precisou cair uma vez para aprender a lição. Eu caio várias vezes nos mesmos buracos e até hoje não aprendi.
No sítio do meu pai, havia gansos. Um foi roubado, outro foi atropelado, outro fugiu pelo córrego, outro morreu de doença e... assim foram minguando até sobrar um só. Que, minha mãe notou, ficava sempre incomodado, cabisbaixo, incerto, rodeando a casa, solitário.
Até que uma das galinhas do sítio ficou choca. O ganso, assim que viu o ninho que ela fez no lado do córrego, tomou para si a tarefa de guardá-lo, e à galinha: ficava sempre andando em volta dela, de guarda, expulsando até mesmo os galos e outras galinhas que chegavam perto.
Cheguei a duas conclusões observando os dois, na última visita que fiz ao sítio. Uma é que provavelmente está inscrito nos genes dos machos das espécies a tendência natural de proteger, cuidar de um ser que não seja você mesmo - o altruísmo é uma espécie de instinto masculino.
A outra conclusão, menos científica, é de que para deixa um ganso cabisbaixo mais animado, qualquer galinha serve.
O JACARÉ DA MINHA MÃE
O mesmo córrego por onde os gansos nadavam, certa vez, encheu com uma chuva e ligou-se a um pequeno açude que há no lado da casa do sítio dos meus pais. E com o transbordamento, veio um jacaré. Ele instalou-se no açude, e depois que as águas baixaram, decidiu ficar por lá por uns tempos.
Minha mãe começou a cuidar do jacaré. Atirava pedaços de pelanca que arrancava da carne que cozinhava, e de noite, gostava de procurar os olhos brilhantes dele com uma lanterna, de brincadeira.
Eu dizia para minha mãe que o jacaré, que ainda era um filhote, ainda iria crescer e comer ela, meu pai e os carneiros e galinhas que eles criavam, um a um.
Claro que minha mãe não me deu ouvidos - na nossa família, só ouvimos o que queremos ouvir.
Um dia, choveu de novo, o rio transbordou, atingiu o açude, o jacaré aproveitou e foi embora rio abaixo.
Nunca se afeiçoe demais a alguém que entrou na sua vida trazido por puro acaso. Eles também vão embora levados pelo puro acaso. Você fica.
A CALOPSITA DA MINHA AMIGA
Quando me separei, fui morar com uma amiga que tinha uma calopsita - uma espécie de periquito, só que com um topete de integrante do Sig Sig Sputnik (alguém se lembra?) e uma pelagem mais variada.
A calopsita me acordava de manhã com longos piados, demandando comida e atenção. Depois que soltávamos ela (ele, na verdade - o nome era Mané), o bicho gostava de ficar no meu ombro, bicando minha nuca. Às vezes, doía muito, mas às vezes, dava cócegas. Às vezes, ele cagava. Algumas camisas minhas ficaram estragadas, com o ombro esgarçado, de tanto lavar.
Ele era chato. Mas graças à ele entendi um pouco o que é ser mulher: é carregar no ombro alguém que cutuca as nossas partes mais sensíveis, e que não se importa de cagar em cima de você, de vez em quando.
A GATA DA MINHA HOME MATE
Minha amiga foi embora, e veio outra home mate. E alguns meses depois, veio um gato. Nas primeiras semanas, o gato ficava preso dentro do apartamento, que é térreo, e jamais deixávamos ele ir para uma área nos fundos, onde havia uma piscina, com medo de que ele caísse e morresse afogado.
Um dia, pedreiros foram para a área dos fundos montar um andaime para uma reforma do prédio. E o gato também foi. Eles disseram que eu poderia deixar o gato lá, que eles cuidariam dele.
Alguns minutos depois, o gato voltou para casa, molhado como um pincel embebido num tubo de tinta nanquim (ele é totalmente negro). Tinha caído na piscina. Minha home mate o secou. Mas não impedimos que ele voltasse a passear na área dos fundos por causa disso. Na verdade, foi bom ele ter caído na piscina e ter se safado sozinho; ele nunca mais fez isso de novo. O gato, constatei, é o ser vivo mais inteligente da casa onde moro. Ele só precisou cair uma vez para aprender a lição. Eu caio várias vezes nos mesmos buracos e até hoje não aprendi.
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