Se você tivesse de escolher um lugar para comer bem, iria preferir o melhor restaurante da Suécia ou o melhor do Haiti? O economista Tyler Cowen recomenda o menu haitiano, no seu livro Discover Your Inner Economist. Ele argumenta que em países com maior disparidade de renda, existe mais gente sendo mal paga que topa trabalhar mais para cultivar e tratar de alimentos e de comida, e os ricos deste país vão se preocupar muito em comer extremamente bem porque isso é um sinal de status. Talvez isso explique porque, no Rio, se paga mais caro para se comer bem do que em São Paulo ou Belo Horizonte: a desigualdade aqui é maior porque os ricos cariocas não têm talento para criar suficiente crescimento econômico que dê chance aos pobres de melhorar de vida.
O livro de Tyler segue a linha de "Freakonomics" e analisa pelo ponto de vista econômico fatos da vida como a chance de sucesso de conquistar uma bonita mulher fingindo ignorá-la (não há garantia nenhuma de que isso funcione, avisa ele, decepcionando os feios, tímidos e preguiçosos que gostam desta tática), e alertando que a questão principal da economia não é o dinheiro, mas a escassez - que pode ser de tempo ou de carinho, por exemplo. É isso que faz a economia girar.
Até aí tudo bem. Mas só que tudo isso não é novo. Pode ser resumido numa frase que minha mãe gostava de me dizer: "meu filho, na vida a gente tem de ter malícia". Notável é que conclusões que seriam óbvias para quem tem um pouco de malícia sejam encadernadas e publicadas em forma de livro e vendam assim. Um fato da vida que livros como "Freakonomics" e esse acima revelam é que a malícia foi expulsa de outros campos das chamadas ciências humanas - por correção política, excesso de marxismo, distanciamento da realidade dos professores universitários encastelados, tudo junto. Mas sociólogos, antropólogos e outros ólogos estão mais preocupados em condenar moralmente algum fato inevitável da vida - em breve, algum francês chorará contra o "inevitável e amargo destino da Terra de girar em torno do sol", aguardem - ou rechear com palavras terminadas em "ão","ade", "ento" e "ismo" algum relato de um fato óbvio em suas teses de pós, mestrado, doutorado, etc. Algo do tipo "a questão da desigualdade social necessita um ativismo por parte da sociedade, por meio de um engajamento", etc. Sobrou para a economia olhar a vida como ela é e refletir sobre ela em formas mais práticas, porque afinal de contas, quem se forma em economia tem mais chances de ganhar dinheiro sendo prático do que quem se forma em sociologia, que tem mais chances de ganhar dinheiro escrevendo teses ilegíveis e desimportantes que denunciem algum fato social já sabido de todos. E isso também é um fato econômico.
terça-feira, julho 24, 2007
segunda-feira, julho 23, 2007
Uma artigo de separação
Na década de 30, nos Estados Unidos, o jornalista e crítico H. L. Mencken perdeu o posto que até então tinha de mais influente formador de opinião de seu país, entre jovens e velhos. Motivo: usou contra o presidente Roosevelt o mesmo arsenal de ataques e xingamentos com que tinha metralhado os antecessores no cargo. Mencken continuou o mesmo, mas o público tinha mudado: no meio da depressão econômica, seu público queria menos mordacidade, menos azedume, e um pouco mais de esperança para agüentar uma realidade por si só desoladora. Roosevelt conseguiu encarnar essa esperança - e o jornalista que apresentou aos americanos Ibsen, Shaw, Eugene O´Neill e Sinclair Lewis, não tinha entendido os novos tempos.
Na semana passada, Luis Fernando Verissimo pode ter caído em uma armadilha similar, mas com os sinais trocados: dois dias depois do maior acidente de aviação da história do Brasil ter culminado dez meses de crise nos aeroportos, em boa parte por inação no governo, Veríssimo publicou uma crônica em que determinava ser proibido vaiar Lula, como fez o público reunido no Maracanã na abertura do Pan.
Se tivesse publicado isso uma semana antes, o efeito da crônica teria sido menos desastroso. Mas havia um desastre de avião, o sumiço do presidente, e, no dia seguinte, a grosseria dos petistas no Palácio do Planalto. A adesão de Verissimo ao governo Lula não era novidade. Mas acrescida destes elementos, soou ofensiva. Uma ofensa a mais, e uma abertura de guarda, foi comparar os que vaiaram Lula aos homens de direita que apoiaram Hitler porque ele seria um remédio contra Stálin, e à esquerda que apoiou Stálin porque ele seria uma barreira contra Hitler. Quem entende um pouco de história, a partir destas comparações, pode se lembrar que, entre 1939 e 1941, todos os comunistas tornaram-se favoráveis à Alemanha Nazista, porque seguiram cegamente a orientação da União Soviética, que tinha feito com Hitler um acordo para partilhar a Europa. Foi o mesmo tipo de submissão cega que Verissimo pediu aos seus leitores para terem com Lula.
O efeito deste texto vai ser especialmente danoso porque Verissimo fez sucesso como um escritor voltado para a classe média. Seu humor é para a classe média, os dramas de que ri são de classe média, este grupo social que é o mais interessante de todos porque está sempre na ânsia de querer subir um degrau acima e no medo de descer um degrau abaixo na escala econômica - e cujo inconformismo a torna o motor de todas as revoluções políticas e estéticas bem-sucedidas dos últimos 200 anos. Ao dizer para esta classe média, cansada de pagar impostos e nada receber em troca, que eles não têm sequer o direito de chiar um pouco, Verissimo mandou seu público procurar outra freguesia. E é o que eles vão fazer, porque os tempos mudaram e o criador do Analista de Bagé não está entendendo mais a piada que se tornou a realidade.
Na semana passada, Luis Fernando Verissimo pode ter caído em uma armadilha similar, mas com os sinais trocados: dois dias depois do maior acidente de aviação da história do Brasil ter culminado dez meses de crise nos aeroportos, em boa parte por inação no governo, Veríssimo publicou uma crônica em que determinava ser proibido vaiar Lula, como fez o público reunido no Maracanã na abertura do Pan.
Se tivesse publicado isso uma semana antes, o efeito da crônica teria sido menos desastroso. Mas havia um desastre de avião, o sumiço do presidente, e, no dia seguinte, a grosseria dos petistas no Palácio do Planalto. A adesão de Verissimo ao governo Lula não era novidade. Mas acrescida destes elementos, soou ofensiva. Uma ofensa a mais, e uma abertura de guarda, foi comparar os que vaiaram Lula aos homens de direita que apoiaram Hitler porque ele seria um remédio contra Stálin, e à esquerda que apoiou Stálin porque ele seria uma barreira contra Hitler. Quem entende um pouco de história, a partir destas comparações, pode se lembrar que, entre 1939 e 1941, todos os comunistas tornaram-se favoráveis à Alemanha Nazista, porque seguiram cegamente a orientação da União Soviética, que tinha feito com Hitler um acordo para partilhar a Europa. Foi o mesmo tipo de submissão cega que Verissimo pediu aos seus leitores para terem com Lula.
O efeito deste texto vai ser especialmente danoso porque Verissimo fez sucesso como um escritor voltado para a classe média. Seu humor é para a classe média, os dramas de que ri são de classe média, este grupo social que é o mais interessante de todos porque está sempre na ânsia de querer subir um degrau acima e no medo de descer um degrau abaixo na escala econômica - e cujo inconformismo a torna o motor de todas as revoluções políticas e estéticas bem-sucedidas dos últimos 200 anos. Ao dizer para esta classe média, cansada de pagar impostos e nada receber em troca, que eles não têm sequer o direito de chiar um pouco, Verissimo mandou seu público procurar outra freguesia. E é o que eles vão fazer, porque os tempos mudaram e o criador do Analista de Bagé não está entendendo mais a piada que se tornou a realidade.
domingo, julho 08, 2007
A matéria óbvia
O Guardian, meu jornal favorito, fez a matéria óbvia sobre o Live Earth: pediu para uma empresa especializada em medir o consumo de carbono pelos seres viventes do nosso planeta calcular quanto se gastou em termos destas moléculas que eram meu terror nas aulas de química com a produção, execução e reunião de pessoas para ver os shows do Live Earth. A emnpresa apontou que, num sábado, contando as viagens dos artistas, a montagem dos palcos, equipamento de som, mais a logística do transporte da coisa toda, mais a reunião de pessoas, quem prestigiou e participou dessa iniciativa tão legal, não é mesmo, gente?, torrou o equivalente ao carbono consumido por 3 mil moradores da Grã-Bretanha num ano. Mas foi por uma boa causa, como diria Trotkski mandando matar os marinheiros em greve de Kronstadt.
sábado, maio 26, 2007
A voz da sociedade civil desorganizada cubana
Na semana que vem, começa uma discussão sobre direitos humanos em Cuba, envolvendo o governo espanhol. O pessoal do Projeto Democrata Cubano avisa: a imprensa cubana ignorou o assunto. E que não foram ouvidos nem chamados para o encontro representantes da sociedade civil desorganizada - é melhor chamar assim, para diferenciar dos espiões que Fidel plantou em qualquer agrupamento de pessoas na ilha; isso sim é que é a parte "organizada" da sociedade civil.
PROYECTO DEMÓCRATA CUBANO
Miembro de la Organización Demócrata Cristiana de América (ODCA).
Sede: 7ma. # 49405 (altos), e/ 494 y 494-A. Guanabo, Habana del Este, Ciudad de La Habana, Cuba. C.P.: 19120
Telefax: (537) 96-2636 Otro teléf: (537) 642-9371 E-mail: prodecu@gmail.com Sitio web: http://www.prodecu.org
DECLARACIÓN
Las agencias internacionales de noticias han informado que los venideros días 29 y 30 de mayo comenzarán en la capital de nuestra nación las conversaciones sobre el tema de los derechos humanos entre las delegaciones del Reino de España y las del gobierno cubano. Estas fueron previstas en los acuerdos tomados durante la visita a Cuba del canciller español Miguel Ángel Moratinos el pasado mes de abril.
Aunque para nosotros, los cubanos del archipiélago, no constituye una sorpresa que la prensa nacional no se haya pronunciado aún sobre este importante acontecimiento, en esta oportunidad, el silencio reafirma lo complejo y sensible que ha resultado y resulta para las autoridades cubanas todo lo relacionado con este crucial y crispante asunto.
A pesar de que también con relación al tema de los derechos humanos el gobierno continúa excluyendo a la sociedad civil independiente cubana —la que debe hacerse escuchar, paradójicamente, mediante interlocutores extranjeros—, el hecho en sí mismo de esta reunión en La Habana abre un nuevo y esperanzador espacio al diálogo constructivo y crea nuevas expectativas sobre la importancia de la institucionalización de la agenda de todos los derechos humanos para todos, tal y como están recogidos en la carta universal al respecto y de la cual Cuba fue promotora y firmante.
Este primer encuentro que tendrá lugar próximamente, ha focalizado el interés, tanto de la comunidad internacional como del interior del país, hacia los presos políticos pacíficos y prisioneros de conciencia que guardan prisión y sobre los que evidentemente existe el consenso de que su excarcelación debe ser tomada en cuenta como una de las prioridades de estas reuniones.
Los militantes del Proyecto Demócrata Cubano esperamos que este evento, por sus logros —entre los que estaría la garantía de la continuidad periódica de estos encuentros—, reafirme la importancia de las políticas de negociación respetuosa como el camino más expedito para el saneamiento de las relaciones entre la comunidad democrática internacional y las autoridades cubanas y entre estas y la comunidad opositora pacífica de Cuba. De igual manera que esperamos que contribuya al diseño de una nueva política europea de acercamiento al tema cubano para la cual sabemos se necesitan nuevos referentes, imaginación y audacia.
Rafael León Rodríguez
Coordinador General
San Cristóbal de La Habana, 25 de mayo de 2007.
PROYECTO DEMÓCRATA CUBANO
Miembro de la Organización Demócrata Cristiana de América (ODCA).
Sede: 7ma. # 49405 (altos), e/ 494 y 494-A. Guanabo, Habana del Este, Ciudad de La Habana, Cuba. C.P.: 19120
Telefax: (537) 96-2636 Otro teléf: (537) 642-9371 E-mail: prodecu@gmail.com Sitio web: http://www.prodecu.org
DECLARACIÓN
Las agencias internacionales de noticias han informado que los venideros días 29 y 30 de mayo comenzarán en la capital de nuestra nación las conversaciones sobre el tema de los derechos humanos entre las delegaciones del Reino de España y las del gobierno cubano. Estas fueron previstas en los acuerdos tomados durante la visita a Cuba del canciller español Miguel Ángel Moratinos el pasado mes de abril.
Aunque para nosotros, los cubanos del archipiélago, no constituye una sorpresa que la prensa nacional no se haya pronunciado aún sobre este importante acontecimiento, en esta oportunidad, el silencio reafirma lo complejo y sensible que ha resultado y resulta para las autoridades cubanas todo lo relacionado con este crucial y crispante asunto.
A pesar de que también con relación al tema de los derechos humanos el gobierno continúa excluyendo a la sociedad civil independiente cubana —la que debe hacerse escuchar, paradójicamente, mediante interlocutores extranjeros—, el hecho en sí mismo de esta reunión en La Habana abre un nuevo y esperanzador espacio al diálogo constructivo y crea nuevas expectativas sobre la importancia de la institucionalización de la agenda de todos los derechos humanos para todos, tal y como están recogidos en la carta universal al respecto y de la cual Cuba fue promotora y firmante.
Este primer encuentro que tendrá lugar próximamente, ha focalizado el interés, tanto de la comunidad internacional como del interior del país, hacia los presos políticos pacíficos y prisioneros de conciencia que guardan prisión y sobre los que evidentemente existe el consenso de que su excarcelación debe ser tomada en cuenta como una de las prioridades de estas reuniones.
Los militantes del Proyecto Demócrata Cubano esperamos que este evento, por sus logros —entre los que estaría la garantía de la continuidad periódica de estos encuentros—, reafirme la importancia de las políticas de negociación respetuosa como el camino más expedito para el saneamiento de las relaciones entre la comunidad democrática internacional y las autoridades cubanas y entre estas y la comunidad opositora pacífica de Cuba. De igual manera que esperamos que contribuya al diseño de una nueva política europea de acercamiento al tema cubano para la cual sabemos se necesitan nuevos referentes, imaginación y audacia.
Rafael León Rodríguez
Coordinador General
San Cristóbal de La Habana, 25 de mayo de 2007.
quinta-feira, abril 19, 2007
O melhor do humor involuntário
Estou lendo, aos poucos, o que parecer ser o livro mais engraçado que me caiu nas mãos neste ano: "A Massai branca", relato verídico de suíça que se apaixonou por guerreiro massai e viveu cinco anos com ele no Quênia. A intenção do livro é ser um daqueles relatos afrescalhados e histéricos de mulheres de mais de 40 que elas consideram uma "narrativa sensível". MAS com um pouco de malícia e vivência, você ri muito, porque na verdade, é um relato rocambolesco da quantidade de furadas em que uma mulher pode se meter quando desenvolve fantasias românticas malucas - no caso, dar para um negão, porque eles seriam "mais calorosos", "mais sensuais".
Essa ilusão cai por terra lá pela página 30, quando ela vai ter a primeira trepada com o "guerreiro massai" (que eu acho que na verdade devia ser um agricultor, um camelô, que mandou essa letra de "guerreiro" para pegar a suíça). Ela descobre que os massai não a) beijam na boca, b) deixam que lhe toquem os cabelos, c) deixam que lhe toquem os órgãos sexuais, d) tocam uma mulher da barriga para baixo. Ou seja, a sensualidade de um intercurso sexual massai está próximo de uma retirada de R$ 40 reais de um caixa eletrônico: insira o cartão, digite a senha e para esta operação não emitimos comprovante.
Mais adiante, ela toma a decisão de largar a Suíça para morar com o guerreiro massai em sua aldeia. Só que o massai, "discutindo a relação", sugere a ela que ela permaneça na Suíça e venha visitá-lo de três em três meses, "eu estarei esperando aqui"., etc. Ou seja, nosso massai, de quem eu estou gostando cada vez mais, apesar das tradições milenares, dos costumes alternativos à mesquinhez da vida burguesa ocidental, dos saberes orais, COMO TODO HOMEM, quer dar uma comida na suíça doida e depois ficar em paz - até para poder pegar outras vagabundas.
Hoje, parei no trecho sensacional em que a suíça, que volta ao país de origem para se desfazer de seus negócios, ao retornar para o Quênia, descobre que o massai não recebeu nenhuma das cinco cartas que ela lhe enviou neste período de afastamento. Uma amiga queniana descobre que foi porque ela mandou as cartas para um endereço em que os correios são dominados pelos massai do norte, que fazem o que querem com a correspondência, e geralmente omitem cartas dos outros massai, como o dela, só de sacanagem. "Mas eu pensei que todos os massai fossem unidos...", replica a suíça, diante da constatação de que o panafricanismo é uma entidade que só existiu na cabeça de editorialistas do "Le Monde" dos anos 50. Alegria de pobre é ver rico se fuder. Mas prazer de pobre é fuder o outro pobre que nem ele, e isso vale para todo o mundo globalizado.
Essa ilusão cai por terra lá pela página 30, quando ela vai ter a primeira trepada com o "guerreiro massai" (que eu acho que na verdade devia ser um agricultor, um camelô, que mandou essa letra de "guerreiro" para pegar a suíça). Ela descobre que os massai não a) beijam na boca, b) deixam que lhe toquem os cabelos, c) deixam que lhe toquem os órgãos sexuais, d) tocam uma mulher da barriga para baixo. Ou seja, a sensualidade de um intercurso sexual massai está próximo de uma retirada de R$ 40 reais de um caixa eletrônico: insira o cartão, digite a senha e para esta operação não emitimos comprovante.
Mais adiante, ela toma a decisão de largar a Suíça para morar com o guerreiro massai em sua aldeia. Só que o massai, "discutindo a relação", sugere a ela que ela permaneça na Suíça e venha visitá-lo de três em três meses, "eu estarei esperando aqui"., etc. Ou seja, nosso massai, de quem eu estou gostando cada vez mais, apesar das tradições milenares, dos costumes alternativos à mesquinhez da vida burguesa ocidental, dos saberes orais, COMO TODO HOMEM, quer dar uma comida na suíça doida e depois ficar em paz - até para poder pegar outras vagabundas.
Hoje, parei no trecho sensacional em que a suíça, que volta ao país de origem para se desfazer de seus negócios, ao retornar para o Quênia, descobre que o massai não recebeu nenhuma das cinco cartas que ela lhe enviou neste período de afastamento. Uma amiga queniana descobre que foi porque ela mandou as cartas para um endereço em que os correios são dominados pelos massai do norte, que fazem o que querem com a correspondência, e geralmente omitem cartas dos outros massai, como o dela, só de sacanagem. "Mas eu pensei que todos os massai fossem unidos...", replica a suíça, diante da constatação de que o panafricanismo é uma entidade que só existiu na cabeça de editorialistas do "Le Monde" dos anos 50. Alegria de pobre é ver rico se fuder. Mas prazer de pobre é fuder o outro pobre que nem ele, e isso vale para todo o mundo globalizado.
quarta-feira, abril 18, 2007
O assassino enquanto autor teatral
Tá em algum jornal hoje um "especialista" dizendo que é difícil saber o que um assassino em massa como Seung Cho pensa, porque eles geralmente se matam ou são mortos depois do massacre. Mas Cho deixou pelo menos uma pista, que está no site "Smoking Gun". A peça "Richard McBeef", de sua autoria. A história é de um garoto de 13 anos, John, que acusa o padastro, o Richard do título, de matar o pai e de pedofilia.
É tão óbvio e mal escrito que, se estivesse no Brasil, Cho já teria sido contratado como roteirista de novelas. Mas revela muita coisa. Richard McBeef e sua mulher, a mãe de John, praticamente nem existem como personagens: são só alvo dos xingamentos e da insatisfação do adolescente. Para chamar o padastro, que ele só nomeia como "Dick", de pedófilo, ele o acusa de ser um "padre" e "Michael Jackson". Quando o acusa de ter matado o pai, John diz que McBeef forjou o incidente no barco que provocou a morte, "do mesmo jeito que o governo encobriu o que realmente houve com Marilyn e Kennedy". Aliás, John nem mostra amor pelo pai: diz que ele também não merecia a mãe - é um Hamlet sem culpas. Ele transforma em acusação até o fato de McBeef ter "trabalhado para o governo". Mais adiante, diz quer quer matar o padastro porque ele "se entope de McDonald´s".
Pai, padastro, governo, Igreja, consumo de massa, cultura da celebridade e escândalos estimulados pelos meios de comunicação: John, o personagem do assassino, odiava todas estas marcas da sociedade americana. E não pára nunca de acusar os outros. A cultura da reclamação, expressão criada pelo crítico de arte Robert Hughes, está formando seus anjos vingadores.
É tão óbvio e mal escrito que, se estivesse no Brasil, Cho já teria sido contratado como roteirista de novelas. Mas revela muita coisa. Richard McBeef e sua mulher, a mãe de John, praticamente nem existem como personagens: são só alvo dos xingamentos e da insatisfação do adolescente. Para chamar o padastro, que ele só nomeia como "Dick", de pedófilo, ele o acusa de ser um "padre" e "Michael Jackson". Quando o acusa de ter matado o pai, John diz que McBeef forjou o incidente no barco que provocou a morte, "do mesmo jeito que o governo encobriu o que realmente houve com Marilyn e Kennedy". Aliás, John nem mostra amor pelo pai: diz que ele também não merecia a mãe - é um Hamlet sem culpas. Ele transforma em acusação até o fato de McBeef ter "trabalhado para o governo". Mais adiante, diz quer quer matar o padastro porque ele "se entope de McDonald´s".
Pai, padastro, governo, Igreja, consumo de massa, cultura da celebridade e escândalos estimulados pelos meios de comunicação: John, o personagem do assassino, odiava todas estas marcas da sociedade americana. E não pára nunca de acusar os outros. A cultura da reclamação, expressão criada pelo crítico de arte Robert Hughes, está formando seus anjos vingadores.
O que realmente interessa em Cuba
Enquanto aparecem notícias de que Fidel está cada vez melhor de saúde - em ditaduras e mesmo em governos democráticos, anúncios deste tipo costumam significar exatamente o contrário - a vida continua em Cuba. E o Projeto Democrata Cubano, ligada à Organização Democrata Cristã da América (OCDA), lançou pela Internet o manifesto abaixo. São poucas linhas - mas estes sinais de movimentação pela restauração da democracia no país terão efeitos mais importantes, a longo prazo, do que saber se Fidel cagou duro ou cagou mole. O site deles é http://www.prodecu.org
DECLARACIÓN
Hemos conocido que un grupo de compatriotas de la comunidad opositora al interior de Cuba publicitó un mensaje dirigido a los pueblos de Cuba y del mundo titulado “Unidad por la libertad”.
Los militantes y colaboradores del Proyecto Demócrata Cubano nos identificamos plenamente con el espíritu de la letra de esta iniciativa y con los propósitos y principios que en ella se reflejan.
Nuestra organización, que tradicionalmente ha privilegiado el respeto a la diversidad de proyectos y al pluralismo participativo desde la ética en la búsqueda de los cambios pacíficos hacia la democracia en Cuba, significa su disposición a trabajar mancomunadamente por el éxito de estos justos y compartidos objetivos. Asimismo, expresamos nuestro acuerdo con los postulados que promueven esta nueva acción ciudadana.
Nos parece positiva esta reciente intención de la oposición pacífica interna en el fomento de ambientes y espacios de tolerancia, respeto y pluralidad como el más loable y elevado consenso al que aspiramos para la necesaria e inaplazable unidad por la libertad de Cuba.
Rafael León Rodríguez
Coordinador General
San Cristóbal de La Habana, 17 de abril de 2007.
DECLARACIÓN
Hemos conocido que un grupo de compatriotas de la comunidad opositora al interior de Cuba publicitó un mensaje dirigido a los pueblos de Cuba y del mundo titulado “Unidad por la libertad”.
Los militantes y colaboradores del Proyecto Demócrata Cubano nos identificamos plenamente con el espíritu de la letra de esta iniciativa y con los propósitos y principios que en ella se reflejan.
Nuestra organización, que tradicionalmente ha privilegiado el respeto a la diversidad de proyectos y al pluralismo participativo desde la ética en la búsqueda de los cambios pacíficos hacia la democracia en Cuba, significa su disposición a trabajar mancomunadamente por el éxito de estos justos y compartidos objetivos. Asimismo, expresamos nuestro acuerdo con los postulados que promueven esta nueva acción ciudadana.
Nos parece positiva esta reciente intención de la oposición pacífica interna en el fomento de ambientes y espacios de tolerancia, respeto y pluralidad como el más loable y elevado consenso al que aspiramos para la necesaria e inaplazable unidad por la libertad de Cuba.
Rafael León Rodríguez
Coordinador General
San Cristóbal de La Habana, 17 de abril de 2007.
sábado, março 10, 2007
domingo, janeiro 07, 2007
isso sim é uma verdade incoveniente
Finalmente um tema que realmente merece uma polêmica - isso se não houver censura politicamente correta nos jornais: Steve Putnam, que no ano passado ganhou um dos mais importantes prêmios dados a cientistas políticos no mundo (não sabia que se premiava esse tipo de atividade), fez uma pesquisa que vai fazer os apologistas da diversidade engolirem em seco - como ele mesmo o fez, demorando cinco anos para divulgar seus dados, porque antes queria tentar descobrir uma solução para o problema apontado no seu estudo.
Professor de Harvard, ex-assessor de Jimmy Cartner, Putnam, quando recebeu o tal prêmio na Suécia - US$ 50 mil - confessou para um colunista do "FinancialTimes", John Lloyd, a verdade incoveniente de seu último trabalho acadêmico - a diversidade não colabora, mas degrada a cooperação entre os membros de uma comunidade. Ele chegou a esta conclusão depois de pesquisar 26.200 pessoas em 40 comunidades americanas. Ajustando os dados de acordo com as diferenças de classe, renda e outros fatores, sobrou o seguinte: quanto mais pessoas de culturas e etnias diferentes vivem na mesma comunidade, maior o aumento da desconfiança, menor a solidariedade com o seu vizinho e com as instituições que representam aquela comunidade - autoridades, jornais, líderes religiosos, e opr aí. Duas coisas aumentam em comunidades deste tipo, segundo Putnam: mais gente vê televisão e há mais marchas de protesto - o que não é algo para se comemorar, a não ser que você seja um ativista em busca de carreira política ou um diretor de programação de TV pensando em como baixar um pouco mais o nível para ganhar mais audiência
Um exemplo empírico desta desagregação, apontada pela pesquisa: Los Angeles, não por coincidência, o cenário do filme "Crash", ganhador do Oscar, que trata justamente da desconfiança entre negros, brancos, chineses, turcos, etc. Não por acaso, antes de a pesquisa ser revelada por Lloyd, ela só havia sido mencionada em 2001 em uma reportagem do "Los Angeles Times" com o título de “Love Thy Neighbor? Not in L.A.”
Professor de Harvard, ex-assessor de Jimmy Cartner, Putnam, quando recebeu o tal prêmio na Suécia - US$ 50 mil - confessou para um colunista do "FinancialTimes", John Lloyd, a verdade incoveniente de seu último trabalho acadêmico - a diversidade não colabora, mas degrada a cooperação entre os membros de uma comunidade. Ele chegou a esta conclusão depois de pesquisar 26.200 pessoas em 40 comunidades americanas. Ajustando os dados de acordo com as diferenças de classe, renda e outros fatores, sobrou o seguinte: quanto mais pessoas de culturas e etnias diferentes vivem na mesma comunidade, maior o aumento da desconfiança, menor a solidariedade com o seu vizinho e com as instituições que representam aquela comunidade - autoridades, jornais, líderes religiosos, e opr aí. Duas coisas aumentam em comunidades deste tipo, segundo Putnam: mais gente vê televisão e há mais marchas de protesto - o que não é algo para se comemorar, a não ser que você seja um ativista em busca de carreira política ou um diretor de programação de TV pensando em como baixar um pouco mais o nível para ganhar mais audiência
Um exemplo empírico desta desagregação, apontada pela pesquisa: Los Angeles, não por coincidência, o cenário do filme "Crash", ganhador do Oscar, que trata justamente da desconfiança entre negros, brancos, chineses, turcos, etc. Não por acaso, antes de a pesquisa ser revelada por Lloyd, ela só havia sido mencionada em 2001 em uma reportagem do "Los Angeles Times" com o título de “Love Thy Neighbor? Not in L.A.”
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Sempre rir
Fundado em 1988, o Edge Foundation promove discussões de assuntos intelectuais, artísticos, sociais e literários, e tem uma revista, que, todo fim de ano, publica um número para quem busca forças para agüentar o ano seguinte. Neste número, vários estudiosos de áreas diferenciadas respondem porque devemos ser otimistas com o futuro, quando tanta notícia tenta aumentar o nosso pessimismo, graças aos avanços científicos. Alguns exemplos de otimismo do último número:
Jerry Adler, editor da Newsweek, acredita que em algum momento do século XXI ele vai entender - assim como nós - a física do século XX - relatividade, física quântica, supercordas, essas coisas.
Linda Stone, ex-vice-presidente da Microsoft e co-fundadora e diretora da Microsoft's Virtual Worlds Group/Social Computing Group, aposta que "as pessoas vão usar efetivamente a tecnologia como meio para uma comunidade global mais saudável"
Irene Pepperberg, psicóloga de Harvard, acredita numa segunda e melhor era iluminista, mesmo e por causa das guerras e genocídios que o mundo enfrenta.
Roger Highfield, editor de Ciência do "The Daily Telegraph", aposta que as pessoas ficarão "imunes ao hype": "com o tempo, o público vai gastar mais tempo apreciando o céu azul da ciência e não a torrente marrom de expectativas paroquiais e egoístas sobre o que a ciência pode fazer por ele. A Ciência não tem de ser útil, a não ser por criar modelos sobre como a natureza funciona. "
Judith Rich Harris, uma investigadora e teórica independente autora de um livro sobre a natureza humana e sua individualidade, aposta na sobrevivência da amizade — "talvez você tenha ouvido previsões sombrias sobre a amizade: está morrendo, as pessoas não têm mais em quem confiar", começa ela em seu artigo. "Mas a amizade não está morrendo: está mudando, adaptando-se às mudanças no mundo (...) talvez seja mais difícil achar um parceiro de boliche, mas é fácil achar algum para um chat."
Outras previsões em http://www.edge.org/q2007/q07_index.html
Jerry Adler, editor da Newsweek, acredita que em algum momento do século XXI ele vai entender - assim como nós - a física do século XX - relatividade, física quântica, supercordas, essas coisas.
Linda Stone, ex-vice-presidente da Microsoft e co-fundadora e diretora da Microsoft's Virtual Worlds Group/Social Computing Group, aposta que "as pessoas vão usar efetivamente a tecnologia como meio para uma comunidade global mais saudável"
Irene Pepperberg, psicóloga de Harvard, acredita numa segunda e melhor era iluminista, mesmo e por causa das guerras e genocídios que o mundo enfrenta.
Roger Highfield, editor de Ciência do "The Daily Telegraph", aposta que as pessoas ficarão "imunes ao hype": "com o tempo, o público vai gastar mais tempo apreciando o céu azul da ciência e não a torrente marrom de expectativas paroquiais e egoístas sobre o que a ciência pode fazer por ele. A Ciência não tem de ser útil, a não ser por criar modelos sobre como a natureza funciona. "
Judith Rich Harris, uma investigadora e teórica independente autora de um livro sobre a natureza humana e sua individualidade, aposta na sobrevivência da amizade — "talvez você tenha ouvido previsões sombrias sobre a amizade: está morrendo, as pessoas não têm mais em quem confiar", começa ela em seu artigo. "Mas a amizade não está morrendo: está mudando, adaptando-se às mudanças no mundo (...) talvez seja mais difícil achar um parceiro de boliche, mas é fácil achar algum para um chat."
Outras previsões em http://www.edge.org/q2007/q07_index.html
sábado, dezembro 16, 2006
Uma nova tradição inglesa
Saiu no começo de dezembro o número da "Legal Business", uma revista direcionada para os advogados da City londrina, a brincadeira de fim de ano da publicação que já se tornou uma tradição para que os causídicos dos principais escritórios da cidade avaliem o quanto estão por dentro das fofocas do meio. A revista publica um questionário para saber se o leitor sabe quem protagonizou alguns dos vexames ou ousadias - principalmente sexuais - mais escandalosas durante o ano.
As respostas não são publicadas: o objetivo é testar seu nível de... insiderness? dos 25 mil assinantes da revista. E principalmente dos funcionários do chamado "círculo mágico", que é o apelido das cinco principais firmas de direito que existem em Londres: Allen & Overy, Clifford Chance, Freshfields Bruckhaus Deringer, Linklaters and Slaughter and May.
Se o adêvogado não sabe as respostas, ele está sendo preterido na conversa do cafezinho e nas noitadas pós-trabalho. Mas isso é melhor do que ler a revista e descobrir que aquela sua indiscrição numa festa de escritório foi muito mais indiscreta do que você pensava, e está publicada em detalhes na "Legal Business". Se está lá, mais gente sabe. "Será um alívio para a rainha saber que seus advogados, da Farrer and Co, não estão incluídos (na história)", comentou o jornal "The Times". As perguntas publicadas mostram o quão animado é o mundo advocatício londrino:
1. Qual sócio de uma firma de advocacia escocesa surpreendeu uma assistente confensando qeu ele gosta de se vestir de mulher e tem um fetiche por látex, antes de perguntá-la se ela não leria para ele histórias de Jackanory uma noite? (NOTA DO TRADUTOR: Jackanory é o nome de um programa de TV infantil na Inglaterra onde uma celebridade lê histórias).
2. Qual ex-chefe de uma sucursal de uma firma do Círculo Mágico em Moscou certa vez foi requisitado para negociar uma revisão de aluguel no condomínio onde ficava o escritório sob a mira de um revólver?
3. Qual sócio de uma das firmas do Círculo Mágico teve a sua entrada na sociedade adiada por um ano depois de ter sido apanhado transando com uma cliente?
4. Qual firma fora de Londres tem um sócio e uma secretária conhecidos por fornicar na mesa de trabalho, na cama de casal e em um banheiro de um nightclub, e também são chegados nuns "doggers"? (O "Times" explica: "Dogging'' é fazer sexo em lugares públicos como estacionamentos, ou ficar olhando alguém fazer isso.
5. Qual sócia de um escritório da City já teve de ser retirada de uma alcova de uma prostituta por seu ex-sócio sênior, durante uma noitada depois do trabalho?
6. Qual grande firma em Londres deu uma festa para um cliente que terminou com uma trainee e uma de suas advogadas se agarrando na frente do marido da advogada?
7. Qual sócio de uma das grandes firmas de Londres ganhou, na sua festa de 40 anos a visita de uma stripper travesti?
8. Qual advogado foi expulso de casa depois de engravidar a "au pair" (estudante que mora em um lugar em troca de fazer os serviços caseiros) polonesa?
E por aí vai.
As respostas não são publicadas: o objetivo é testar seu nível de... insiderness? dos 25 mil assinantes da revista. E principalmente dos funcionários do chamado "círculo mágico", que é o apelido das cinco principais firmas de direito que existem em Londres: Allen & Overy, Clifford Chance, Freshfields Bruckhaus Deringer, Linklaters and Slaughter and May.
Se o adêvogado não sabe as respostas, ele está sendo preterido na conversa do cafezinho e nas noitadas pós-trabalho. Mas isso é melhor do que ler a revista e descobrir que aquela sua indiscrição numa festa de escritório foi muito mais indiscreta do que você pensava, e está publicada em detalhes na "Legal Business". Se está lá, mais gente sabe. "Será um alívio para a rainha saber que seus advogados, da Farrer and Co, não estão incluídos (na história)", comentou o jornal "The Times". As perguntas publicadas mostram o quão animado é o mundo advocatício londrino:
1. Qual sócio de uma firma de advocacia escocesa surpreendeu uma assistente confensando qeu ele gosta de se vestir de mulher e tem um fetiche por látex, antes de perguntá-la se ela não leria para ele histórias de Jackanory uma noite? (NOTA DO TRADUTOR: Jackanory é o nome de um programa de TV infantil na Inglaterra onde uma celebridade lê histórias).
2. Qual ex-chefe de uma sucursal de uma firma do Círculo Mágico em Moscou certa vez foi requisitado para negociar uma revisão de aluguel no condomínio onde ficava o escritório sob a mira de um revólver?
3. Qual sócio de uma das firmas do Círculo Mágico teve a sua entrada na sociedade adiada por um ano depois de ter sido apanhado transando com uma cliente?
4. Qual firma fora de Londres tem um sócio e uma secretária conhecidos por fornicar na mesa de trabalho, na cama de casal e em um banheiro de um nightclub, e também são chegados nuns "doggers"? (O "Times" explica: "Dogging'' é fazer sexo em lugares públicos como estacionamentos, ou ficar olhando alguém fazer isso.
5. Qual sócia de um escritório da City já teve de ser retirada de uma alcova de uma prostituta por seu ex-sócio sênior, durante uma noitada depois do trabalho?
6. Qual grande firma em Londres deu uma festa para um cliente que terminou com uma trainee e uma de suas advogadas se agarrando na frente do marido da advogada?
7. Qual sócio de uma das grandes firmas de Londres ganhou, na sua festa de 40 anos a visita de uma stripper travesti?
8. Qual advogado foi expulso de casa depois de engravidar a "au pair" (estudante que mora em um lugar em troca de fazer os serviços caseiros) polonesa?
E por aí vai.
segunda-feira, novembro 06, 2006
fogo amigo
"Neo culpa" é o nome do artigo da Vanity Fair que acaba de sair em que diversos neoconservadores que fizeram parte da administração de George W. Bush criticam acidamente o ex-chefe e sua política no Iraque. Eles sustentam que os motivos que levaram à invasão - a capacidade do neo-condenado Saddam Husseim produzir e distribuir a terroristas armas de destruição em massa - eram sólidos e existentes. E apontam várias causas internas para explicar o quê deu errado: falta de coesão na equipe, falta de poder de decisão de quem devia decidir - no caso, o presidente - preguiça, falta de sinceridade nos objetivos defendidos, e por aí vai. O que, curiosamente, são defeitos apontados costumeiramente por funcionários de colarinho branco de grandes empresas e corporações. Ou seja, o problema é o espírito da época, da era Dilbert.
sexta-feira, novembro 03, 2006
coisas para se fazer na Presidência da República quando você não está morto
Suponhamos que você seja o presidente da República de um país onde os controladores de vôo entrem em greve. Você tem várias opções de medidas para tomar. Uma delas pode ser até descansar na Bahia. Ronald Reagan escolheu aproveitar a greve para mostrar o que é ser um presidente da República.
Em 31 de agosto de 1981, cerca de 13 mil controladores de vôo, dos 17,5 mil que eram da Organização Profissional de Controladores do Pacto Aéreo (PATCO), cruzaram os braços. Era verão nos EUA; época de muitas viagens, e a intenção dos controladores de vôo era exatamente provocar o caos nos aeroportos para ter suas reivindicações atendidas. Que eram salários mais altos, menos dias de trabalho por semana, e uma aposentadoria mais cedo, aos 20 anos de serviço, com o argumento de que a profissão é uma das mais estressantes do mundo (e é mesmo; jornalistas e socorristas de ambulância também sofrem o mesmo nível de estresse, aliás). No mesmo dia, Reagan, que não estava descansando na praia, avisou: ou eles voltavam a trabalhar em 48 horas ou iriam ser punidos. Uma lei de 1955 instituía até cadeia para funcionários federais nos EUA - nada tão duro como o massacre dos grevistas, que Trotski praticou contra marinheiros de uma base russa, mas para padrões ocidentais, uma medida bem dura. Mesmo assim, a lei não "havia pegado" em anos anteriores, e não impediu 22 greves de funcionários neste período, inclusive dos controladores em 1969 e 1970.
Reagan viu nesta crise uma oportunidade -a de mostrar para o país que era um presidente mais presidencial do que o antecessor Jimmy Carter, que hoje tem a imagem de humanitário mas saiu com fama de bunda-mole por tentar contentar a todos e não satisfazer a ninguém. O plano de emergência da agência federal de aviação (FAA) botou cerca de 3 mil supervisores ao lado de 2 mil controladores de vôo que não aderiram à greve, mais 900 controladores de vôo das forças armadas para segurar o intenso tráfego aéreo americano. Isso significou a redução do número de vôos e até o fechamento de pequenos aeroportos. Os líderes da PATCO previram acidentes e o caos por causa do plano - o que não aconteceu. Cerca de 80% dos vôos marcados, durante a greve, saíram do ar na hora prevista.
A escola de treinamento de controladores da FAA em Oklahoma City abriu vagas para treinar novos profissionais, num curso que duraria de 17 a 20 semanas - e apareceu o quádruplo de candidatos suficientes para preencher as vagas. Todos de olho nos salários dos controladores, que já eram altos, e não se importando muito com o estresse.
Esses altos salários, mais a interpretação de que os controladores estavam se lixando para o resto do mundo, fez com que a população ficasse do lado do governo, e não dos grevistas. Houve alguma tentativa de solidariedade de controladores de vôo de outros países (os do Canadá e Portugal boicotaram por dois dias vôos dos EUA, mas foi só) e protestos de outros líderes sindicais, mas mais porque estes viram no que daria o fracasso da greve - a diminuição do poder político dos sindicatos. Pilotos e mecânicos de avião, chamados para aderir à paralisação, continuaram trabalhando, apesar do apelo do presidente da AFL-CIO, Lane Kirkland, de que Reagan estava fazendo um "massacre" na repressão aos controladores parados.
Não chegou a ser como Trotsky gostaria, mas foi realmente um massacre. Líderes da PATCO foram para a cadeia, porque o governo resolveu cumprir a tal lei de 1955. O Departamento de Justiça indiciou 75 controladores de vôo. Juízes federais (lá não tem justiça do trabalho) determinaram multas contra a PATCO que chegaram a U$ 1 milhão por dia parado. Mais de 11 mil controladores foram demitidos no dia 5 de agosto de 1981 - ou seja, Reagan prometeu e cumpriu - e 1,2 mil largaram a paralisação depois de uma semana. Em outubro, a Agência Federal de Relações de Trabalho tirou o certificado de funcionamento da PATCO.
A dureza continuou: dois meses depois do fim oficial da greve, em novembro de 1982, um comitê do congresso recomendou a recontratação de alguns dos grevistas, dizendo que os EUA tinham apenas dois terços do número destes profissionais necessários para a completa segurança dos vôos no país. O secretário de transportes Drew Lewis, que havia treinado secretamente os substitutos dos grevistas, durante as negociações no primeiro semestre de 1981, cortou logo a conversa e nem quis receber Robert Polit, líder da PATCO. Dois anos depois, mesmo com 20% a menos de controladores em relação aos anos anteriores à greve, o tráfego aéreo tinha crescido 6% sem problemas.
E Reagan? O primeiro presidente eleito a ser sindicalizado da AFL-CIO também se tornou o primeiro presidente a derrubar o movimento sindical em 60 anos -e saiu daí com a imagem de líder necessária para passar outras mudanças e reformas que reergueram a economia americana e o fizeram se reeleger e eleger seu vice como sucessor. "Eu apoiei sindicatos e os direitos dos trabalhadores para se organizar e negociar coletivamente em toda a minha vida, mas nenhum presidente pode tolerar uma greve ilegal de funcionários federais", ensinou este presidente em suas memórias. Mas nem todo presidente gosta de ser presidente, só gosta de ser eleito presidente.
Em 31 de agosto de 1981, cerca de 13 mil controladores de vôo, dos 17,5 mil que eram da Organização Profissional de Controladores do Pacto Aéreo (PATCO), cruzaram os braços. Era verão nos EUA; época de muitas viagens, e a intenção dos controladores de vôo era exatamente provocar o caos nos aeroportos para ter suas reivindicações atendidas. Que eram salários mais altos, menos dias de trabalho por semana, e uma aposentadoria mais cedo, aos 20 anos de serviço, com o argumento de que a profissão é uma das mais estressantes do mundo (e é mesmo; jornalistas e socorristas de ambulância também sofrem o mesmo nível de estresse, aliás). No mesmo dia, Reagan, que não estava descansando na praia, avisou: ou eles voltavam a trabalhar em 48 horas ou iriam ser punidos. Uma lei de 1955 instituía até cadeia para funcionários federais nos EUA - nada tão duro como o massacre dos grevistas, que Trotski praticou contra marinheiros de uma base russa, mas para padrões ocidentais, uma medida bem dura. Mesmo assim, a lei não "havia pegado" em anos anteriores, e não impediu 22 greves de funcionários neste período, inclusive dos controladores em 1969 e 1970.
Reagan viu nesta crise uma oportunidade -a de mostrar para o país que era um presidente mais presidencial do que o antecessor Jimmy Carter, que hoje tem a imagem de humanitário mas saiu com fama de bunda-mole por tentar contentar a todos e não satisfazer a ninguém. O plano de emergência da agência federal de aviação (FAA) botou cerca de 3 mil supervisores ao lado de 2 mil controladores de vôo que não aderiram à greve, mais 900 controladores de vôo das forças armadas para segurar o intenso tráfego aéreo americano. Isso significou a redução do número de vôos e até o fechamento de pequenos aeroportos. Os líderes da PATCO previram acidentes e o caos por causa do plano - o que não aconteceu. Cerca de 80% dos vôos marcados, durante a greve, saíram do ar na hora prevista.
A escola de treinamento de controladores da FAA em Oklahoma City abriu vagas para treinar novos profissionais, num curso que duraria de 17 a 20 semanas - e apareceu o quádruplo de candidatos suficientes para preencher as vagas. Todos de olho nos salários dos controladores, que já eram altos, e não se importando muito com o estresse.
Esses altos salários, mais a interpretação de que os controladores estavam se lixando para o resto do mundo, fez com que a população ficasse do lado do governo, e não dos grevistas. Houve alguma tentativa de solidariedade de controladores de vôo de outros países (os do Canadá e Portugal boicotaram por dois dias vôos dos EUA, mas foi só) e protestos de outros líderes sindicais, mas mais porque estes viram no que daria o fracasso da greve - a diminuição do poder político dos sindicatos. Pilotos e mecânicos de avião, chamados para aderir à paralisação, continuaram trabalhando, apesar do apelo do presidente da AFL-CIO, Lane Kirkland, de que Reagan estava fazendo um "massacre" na repressão aos controladores parados.
Não chegou a ser como Trotsky gostaria, mas foi realmente um massacre. Líderes da PATCO foram para a cadeia, porque o governo resolveu cumprir a tal lei de 1955. O Departamento de Justiça indiciou 75 controladores de vôo. Juízes federais (lá não tem justiça do trabalho) determinaram multas contra a PATCO que chegaram a U$ 1 milhão por dia parado. Mais de 11 mil controladores foram demitidos no dia 5 de agosto de 1981 - ou seja, Reagan prometeu e cumpriu - e 1,2 mil largaram a paralisação depois de uma semana. Em outubro, a Agência Federal de Relações de Trabalho tirou o certificado de funcionamento da PATCO.
A dureza continuou: dois meses depois do fim oficial da greve, em novembro de 1982, um comitê do congresso recomendou a recontratação de alguns dos grevistas, dizendo que os EUA tinham apenas dois terços do número destes profissionais necessários para a completa segurança dos vôos no país. O secretário de transportes Drew Lewis, que havia treinado secretamente os substitutos dos grevistas, durante as negociações no primeiro semestre de 1981, cortou logo a conversa e nem quis receber Robert Polit, líder da PATCO. Dois anos depois, mesmo com 20% a menos de controladores em relação aos anos anteriores à greve, o tráfego aéreo tinha crescido 6% sem problemas.
E Reagan? O primeiro presidente eleito a ser sindicalizado da AFL-CIO também se tornou o primeiro presidente a derrubar o movimento sindical em 60 anos -e saiu daí com a imagem de líder necessária para passar outras mudanças e reformas que reergueram a economia americana e o fizeram se reeleger e eleger seu vice como sucessor. "Eu apoiei sindicatos e os direitos dos trabalhadores para se organizar e negociar coletivamente em toda a minha vida, mas nenhum presidente pode tolerar uma greve ilegal de funcionários federais", ensinou este presidente em suas memórias. Mas nem todo presidente gosta de ser presidente, só gosta de ser eleito presidente.
quarta-feira, agosto 30, 2006
Reflexo no chão

Reflexo de poça na esquina da Frei Caneca com a Rua de Santana. Esqueci de dizer: meu interesse é tirar fotos com o mais antiquado tipo de filme - preto-e-branco - e com a mais vagabunda das câmeras - uma Mirage Pop de foco fixo que sai por 20 paus nas boas lojas do ramo - e ver até onde eu posso ir com essa privação de meios. As fotos abaixo também foram tiradas pela Mirage Pop.
sábado, agosto 26, 2006
uma ida ao teatro
domingo, julho 02, 2006
Colonia de Sacramento
Vista do Rio da Prata da doca de Colônia de Sacramento, do lado uruguaio. Tirada nas férias. A parte histórica deve ter uns duzentos metros. Os portugueses a trocaram para os espanhóis em troca de toda a área das missões jesuíticas - o Paraguai, um pouquinho do Brasil, da Argentina, etc. Mas com ela, a Espanha passou a poder vigiar os dois lados do Rio, principal porta de entrada para o centro do continente.
segunda-feira, junho 26, 2006

Quando faço algum passeio sozinho, gosto de levar um caderno de esboços para fazer desenhos, é o que consegue me relaxar mais completamente hoje em dia. Os desenhos abaixo foram feitos durante uma viagem a Niterói, para uma exposição no MAC. Foi um passeio de barca em um dia em que a havia uma regata na Baía de Guanabara. A regata rendeu dois desenhos, um dos quais está mais abaixo. Este ficou o melhor, com dois barcos diante das pedras do Morro da Urca.
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